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Pedi pra dormir na casa do Luck de novo, ele responde sempre a mesma coisa: “Não sei pra que pergunta”.
O sofá deles é tão confortável quanto minha cama, só tinha um cheiro estranho, nem queria pensar o que já podia ter acontecido lá se não eu não dormia.
Levantei bem cedo, morrendo de fome. Saí e fui até o bar do Beto, tava sem grana nenhuma. Ele tinha que me salvar.
Eu: Beto, to morrendo de fome – fiz aquela cara de criança sem comida ele riu e disse:
Beto: Vou trazer o prato do dia, espera.
Eu: OK.
Ele trouxe um prato cheio de coisas gordurosas: Arroz, Bife, Bata Frita, Ovo acompanhado de refrigerante. Comi tudo rápido. É sempre assim.
Coloquei na conta e saí em direção a minha casa. Uma hora vou ter que enfrentar as feras.
Eu: Alguém em casa?
Dudu: Aqui! – ele gritou do quarto dele.
Estava jogando vídeo game com mais três amigos. E rindo que nem um retardado. Pior que aturar um pirralho metido é aguentar um pirralho metido com seus amigos.
Dudu: A mãe tava querendo falar contigo.
Eu: Onde ela ta?
Dudu: Por aí – os amigos riram.
Eu: Grande ajuda pirralho. – Saí de lá, mas voltei quando um de seus amigos me chamou.
Amigo do Dudu: Foi tu que conseguiu os convites pra P.Hall aquela vez neh?
Eu: Sim, e daí?
Amigo do Dudu: Tem como conseguir três pra festa de amanhã?
Eu: Não.
Amigo do Dudu: Pera aí. Não vai embora. Eu te dou 500 reais. – até olhei pra trás de novo, mas aí lembrei que ele é um pirralho e amigo do Dudu, só ta zuando com minha cara.
Entrei no meu quarto e o Dudu veio atrás.
Dudu: Como tu deixou aquela foto por aí?
Eu: Tu acha que eu mandei pra todo mundo? Lógico que não, a pessoa que tirou a foto disse que apagou e eu acreditei.
Dudu: Como tu é ingênua Madu!
Eu: Vai se foder.
Dudu: Eu to tentando me comportar o máximo nesses dias de dificuldade por respeita à minha mãe. Mas não adianta, tu chega no meio da noite e estraga tudo com uma foto.
Eu: PARA DE BANCAR O SANTO QUE NÓS DOIS SABEMOS QUE TU NÃO É. ESSA FOTO FOI TIRADA HÁ UM TEMPÃO. NÃO TENHO CULPA SE FOI PARAR NO CELULAR DA MÃE.
Eu sabia que a culpa era toda minha, mas achei melhor ficar quieta.
Ele saiu sem responder nada, tomei um banho e me arrumei pra ir logo pro riacho. Já estava chegando a hora de sair.
-
Paguei o taxi e tive que caminhar mais uns 15 minutos no meio de árvores até chegar ao riacho, mas eu já sou craque nisso. Passei minha infância inteira brincando aqui, hoje em dia não vejo nenhuma criança aqui, só turista.
Sandy: Ta atrasada.
Ela me assustou. Estava sentada em uma das grandes pedras.
Sandy: Sentái.
Eu: To bem em pé, obrigada.
Ela fez cara de bosta e ficou me olhando de baixo pra cima.
Eu: Não era pra EU estar com essa cara?
Sandy: Por que você? Eu que fui injustiçada.
Eu: HAHAHAHAHA! Coitadinha da Alessandra.
Sandy: Achei que tu ia pedir desculpas e não ficar me enchendo o saco.
Eu: Se eu quisesse me desculpar já teria feito isso, o problema é que eu não acho que estou errada e não me arrependo.
Sandy: NEM DEPOIS DE TUDO QUE EU FIZ PRA VOCÊ SE ARREPENDER?
Eu: FOI EXATAMENTE ISSO QUE ME FEZ MUDAR DE IDEIA E QUERER MAIS AINDA O RAFA!
Sandy: ISSO NÃO FAZ SENTIDO NENHUM.
Eu: EU ESTAVA ARREPENDIDA, ESTAVA COM INTENÇÃO DE ME DESCULPAR POR FAZER BESTEIRA, MESMO NÃO TENDO FEITO POR MAL. MAS TU FOI BAIXA SANDY! MUITO BAIXA! MOSTROU A FOTO PRA MINHA MÃE!
Sandy: Confesso que foi num momento de muita raiva…
Eu: NÃO! TU ESPERAVA QUE ISSO ACONTECESSE! EU TAVA MAL, FUI A UMA FESTA PRA TIRAR FABRIZIO DA CABEÇA E ACABEI FAZENDO MERDA, MAS MESMO ASSIM PENSEI QUE TIVESSE UMA AMIGA! – parei pra respirar e consegui ver a cara dela, tava quase chorando – Quantas vezes tu não exagerou numa festa e EU tive que dar um jeito de nos levar pra casa? Quantas vezes Sandy? E a ÚNICA vez que isso aconteceu comigo, o que tu fez? Riu e tirou foto! TIROU FOTO! Realmente achei que tu tivesse excluído, mas tu nunca perderia  a chance de um dia me humilhar, não é?
Ela me olhava petrificada com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu parei de berrar porque não tinha mais ar, mas continuava igualmente puta com ela.
Percebi que estava quase chorando também, mas ao contrário dela as lágrimas eram de raiva.
Sandy: Eu também achei que tivesse uma amiga, achei que tivesse alguém com quem contar, mas essa pessoa traiu minha confiança, ficando com o único garoto do mundo que eu tava a fim, tava não, estou ainda gosto, mas tu fez a cabeça dele.
Eu: QUE? EU NÃO FIZ A CABEÇA DE NINGUÉM! NEM TODO MUNDO GOSTA DE TI! EU NUNCA SEI QUANDO TU REALMENTE GOSTA DE ALGUÉM, QUANTOS GAROTOS TU JÁ INTITULOU COMO TEU E DESISTIU DUAS SEMANAS DEPOIS? ACHEI QUE COM O RAFA FOSSE A MESMA COISA, ALIÁS, ACHEI NÃO AINDA ACHO ISSO! TU SÓ NÃO DESISTIU PORQUE EU ENTREI NA JOGADA E TU NÃO GOSTA DE PERDER PRA MIM. TU NEM GOSTA DELE!
Sandy: Gosto! Gosto sim…
Eu: SABE POR QUE TU FAZ ISSO? PORQUE TU NUNCA GOSTOU DE ALGUÉM DE VERDADE ANTES! ESCOLHE A PESSOA MAIS DIFÍCIL E NÃO PERCEBE QUE TEM ALGUÉM DO TEU LADO, QUE FARIA QUALQUER COISA POR TI! – eu me assustei com o rumo da conversa e com a minha boca grande. Não vou falar nada, só vou continuar gritando e ela vai achar que eu tava brincando.
Sandy: Isso é verdade? Ta me zuando Madu? Quem?
Quando abri a boca pra responder qualquer coisa ouvi barulho atrás de mim.
Sandy: Tu trouxe alguém. – ela disse se levantando.
Eu: Não.
Demorou um pouco, mas apareceu. Gordo e barbudo, o cara tinha cheiro de cachaça, nos olhava como se nunca tivesse visto humanos antes.
Cara: Já está tarde pra vocês estarem aqui.
Eu: Já estamos indo embora, vem Sandy. – ela correu rápido pro meu lado.
Cara: Acho melhor ficar aqui essa noite. É muito perigoso duas meninas lindas assim sair por aí.
Sandy: Nem fodendo. – dei uma cotovelada nela.
Eu: Muito obrigada, mas já estamos indo pra casa. – empurrei ela pro lado da floresta que era o único lado que podíamos sair.
O cara tava vindo atrás da gente.
Eu: CORRE SANDY! – nem precisei dizer duas vezes, parece que ela já sabia que eu ia gritar.
Cara: Eu não vou fazer mal a vocês, só quero conversar – ele falava e ria, nos seguindo.
Sandy: AH, COM CERTEZA! SÓ QUER NOS SERVIR CHÁ! JÁ ACREDITEI!
Eu: CALA A BOCA SANDY!
Era difícil de desviar das árvores com a velocidade que eu estava correndo, me arranhei inteira. Pra um tio gordo como esse, até que corria rápido, estava nos alcançando. Com o desespero o caminho de volta pra rua parecia muito mais distante.
Sandy: TROUXE O CELULAR? – ela falou pausadamente, quase sem fôlego.
Boa Sandy!
Peguei meu celular e digitei S.O.S, mandei pra última pessoa que me mandou sms. Espero que seja alguém que saiba onde eu estou.
Sandy: MADUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!
Parei de correr, ofegante. Olhei pra trás, ela tinha caído e o cara estava a um metro dela.
Estava mexendo no cinto da calça.
Eu: AI MEU DEUS!
O QUE EU FAÇO? PENSA MADU, PENSA PORRA!
Eu: PAAAAAAAAAAAAAARA! – eu berrei o mais alto que consegui. O cara me olhou rindo.
Mirei o celular nele e tirei uma foto.
Eu: PRONTO, AGORA TENHO UMA FOTO DO SEU ROSTO! O QUE COMPROVA QUE É UM PEDÓFILO!
Cara: Tu não vai fazer nada com isso, tu ta morrendo de medo.
Eu: Ah, não to não.  – eu disse arriscando um sorriso, sim, eu estava coberta de medo. Acho que até os passarinhos conseguiam sentir meu nervosismo. Mas eu tentei parecer normal, ainda com o celular mirado nele. – é só eu apertar esse botão e eu mando pra todo mundo, inclusive pra polícia. E você ta ferrado.
Eu não sabia mandar pra ninguém, muito menos pra polícia, mas já que to mentindo vamos botar medo no tio, então.
Mas ele voltou a sorrir, sem medo nenhum.
Cara: Acha que eu nunca fui pra delegacia antes, meu amor? Eles me soltam logo depois. Ta muito fácil de fazer merda hoje em dia, ninguém liga.
Pronto, agora fodeu tudo de vez. Não sei mais o que podia fazer pra ajudar a Sandy.
Bem que ela podia ter se levantado e fugido enquanto eu chamava a atenção dele, neh? Mas Sandy nunca foi o cérebro do grupo.
O cara chegou mais perto dela. Ela me olhou e eu comecei a gritar, ela a chorar.
- PARADO AÍ!
Olhei pra trás. Estavam: Tadeu e Luck ARMADOS, apontando pro cara, e os outros mais atrás com cara de assustados.
Tadeu: TIRA AS MÃOS DELA AGORA MESMO! SE NÃO EU ATIRO!
Com isso sim, o cara ficou bem assustados. Dava pra ver os olhos dele arregalados olhando pra arma do Tadeu.
Eu: VEM SANDY!
Ela veio correndo e me abraçou. Não pude deixar de abraça-la de volta. Tava puta com essa mina, mas era bom saber que nada tinha acontecido com ela.
Luck: OK! JÁ QUE ESTÁ TÃO A FIM DE TIRAR AS ROUPAS, VAMOS COMEÇAR PELA CALÇA. – ele olhou estranho pro Luck, como se tivesse ficado louco. – VAMOS LOGO! NÃO ESTOU BRINCANDO!
Conclusão: Tadeu e Luck fizeram o cara ficar só de cueca e pegaram as roupas dele, nós saímos correndo logo depois.
Quando já não aguentávamos mais correr, deitamos no meio de uma rua escura e começamos a rir. Ri tanto que minha barriga começou a doer.
Recuperei o fôlego e disse:
Eu: Da onde vocês tiraram essas armas?
Tadeu: Em uma loja aí. – ele apontou a arma pra mim.
Eu: VIRA ISSO PRA LÁ.
Ele atirou e saiu água.
ÁGUA!
Eu: HAHAHAHAHAHAHAHA!
Sandy: O CARA SE PELOU POR CAUSA DE ÁGUA? HAHAHAHAHAHA!
Lizy: É, o Tadeu adora armas. Tem um monte dessas que parecem de verdade.
Todos riram.
Eu: Agora eu entendi porque as crianças não vão mais lá.
Luck: É, pedófilo do caralho.
Sandy: Como é que vocês chegaram aqui tão rápido?
Tadeu: Já estávamos por aqui.
Lizy: Pra ajudar a Madu, se ela precisasse.
Rafa: E precisou afinal não é?
Dany: A gente foi correndo depois que tu me mandou a sms.
Luck: Achei que ALGUÉM estivesse te matando com todos aqueles gritos.
Sandy: Já entendi.
Luck: É pra tu entender mesmo. – ele disse se virando pra ela, ainda deitado.
Sandy: Ah gente, me desculpem. É que eu fiquei com tanta raiva que acabei fazendo merda.
Dany: Quantas vezes tu fez a gente de otário Sandy e nós não fizemos nada? Mas tu traiu uma amiga por puro capricho.
Sandy: Argh, já falaram bastante, vão me perdoar agora?
Dany se levantou, soltando fumaça pelo ouvido, quase.
Dany: NÃO! Por mim nunca mais olhava na tua cara de novo. Espero que vocês pensem assim também. – ele acrescentou olhando pro resto das pessoas deitadas. Ele seguiu caminhando com a cabeça baixa.
Sandy: Qual é o problema desse menino? Ele ta precisando de uma namorada tirar toda essa tensão dele. Hahahaha – ela parou de rir quando viu que era a única que o fazia.
Me levantei rápido pra ver se conseguia alcançar ele.
Sandy: Madu? Tu me perdoa, neh?
Eu: Dessa vez não vai ser tão fácil Sandy.
Corri até ele.
Dany: Tu…
Eu: A gente vai ficar sem a Sandy por um bom tempo agora.
Sorriu amarelo, abracei ele forte pra dizer que tava ali.
A gente foi caminhando devagar e logo os outros estavam do nosso lado.
Ninguém tocou no “assunto Sandy”, nós só rimos de tudo que aconteceu. Principalmente da parte que o Tadeu gritou “PARADO AÍ” porque, segundo ele “sempre quis falar isso, que nem nos filmes”. Me contaram todo o trabalho que tiveram pra pegar as armas sem que os pais de Tadeu e Lizy vissem.
Estávamos indo pro bar do Beto quando o Dany chegou mais perto e disse:
Dany: Acho que agora tu vai conseguir ficar com o Rafa em paz.
Eu olhei pra ele, que ria muito com a piada que o Luck contou.
Sorri internamente.
É, espero que o Dany esteja certo.
-
FIM DE TEMPORADA
CLICA E LEIA A 2ª TEMPORADA 

Pedi pra dormir na casa do Luck de novo, ele responde sempre a mesma coisa: “Não sei pra que pergunta”.

O sofá deles é tão confortável quanto minha cama, só tinha um cheiro estranho, nem queria pensar o que já podia ter acontecido lá se não eu não dormia.

Levantei bem cedo, morrendo de fome. Saí e fui até o bar do Beto, tava sem grana nenhuma. Ele tinha que me salvar.

Eu: Beto, to morrendo de fome – fiz aquela cara de criança sem comida ele riu e disse:

Beto: Vou trazer o prato do dia, espera.

Eu: OK.

Ele trouxe um prato cheio de coisas gordurosas: Arroz, Bife, Bata Frita, Ovo acompanhado de refrigerante. Comi tudo rápido. É sempre assim.

Coloquei na conta e saí em direção a minha casa. Uma hora vou ter que enfrentar as feras.

Eu: Alguém em casa?

Dudu: Aqui! – ele gritou do quarto dele.

Estava jogando vídeo game com mais três amigos. E rindo que nem um retardado. Pior que aturar um pirralho metido é aguentar um pirralho metido com seus amigos.

Dudu: A mãe tava querendo falar contigo.

Eu: Onde ela ta?

Dudu: Por aí – os amigos riram.

Eu: Grande ajuda pirralho. – Saí de lá, mas voltei quando um de seus amigos me chamou.

Amigo do Dudu: Foi tu que conseguiu os convites pra P.Hall aquela vez neh?

Eu: Sim, e daí?

Amigo do Dudu: Tem como conseguir três pra festa de amanhã?

Eu: Não.

Amigo do Dudu: Pera aí. Não vai embora. Eu te dou 500 reais. – até olhei pra trás de novo, mas aí lembrei que ele é um pirralho e amigo do Dudu, só ta zuando com minha cara.

Entrei no meu quarto e o Dudu veio atrás.

Dudu: Como tu deixou aquela foto por aí?

Eu: Tu acha que eu mandei pra todo mundo? Lógico que não, a pessoa que tirou a foto disse que apagou e eu acreditei.

Dudu: Como tu é ingênua Madu!

Eu: Vai se foder.

Dudu: Eu to tentando me comportar o máximo nesses dias de dificuldade por respeita à minha mãe. Mas não adianta, tu chega no meio da noite e estraga tudo com uma foto.

Eu: PARA DE BANCAR O SANTO QUE NÓS DOIS SABEMOS QUE TU NÃO É. ESSA FOTO FOI TIRADA HÁ UM TEMPÃO. NÃO TENHO CULPA SE FOI PARAR NO CELULAR DA MÃE.

Eu sabia que a culpa era toda minha, mas achei melhor ficar quieta.

Ele saiu sem responder nada, tomei um banho e me arrumei pra ir logo pro riacho. Já estava chegando a hora de sair.

-

Paguei o taxi e tive que caminhar mais uns 15 minutos no meio de árvores até chegar ao riacho, mas eu já sou craque nisso. Passei minha infância inteira brincando aqui, hoje em dia não vejo nenhuma criança aqui, só turista.

Sandy: Ta atrasada.

Ela me assustou. Estava sentada em uma das grandes pedras.

Sandy: Sentái.

Eu: To bem em pé, obrigada.

Ela fez cara de bosta e ficou me olhando de baixo pra cima.

Eu: Não era pra EU estar com essa cara?

Sandy: Por que você? Eu que fui injustiçada.

Eu: HAHAHAHAHA! Coitadinha da Alessandra.

Sandy: Achei que tu ia pedir desculpas e não ficar me enchendo o saco.

Eu: Se eu quisesse me desculpar já teria feito isso, o problema é que eu não acho que estou errada e não me arrependo.

Sandy: NEM DEPOIS DE TUDO QUE EU FIZ PRA VOCÊ SE ARREPENDER?

Eu: FOI EXATAMENTE ISSO QUE ME FEZ MUDAR DE IDEIA E QUERER MAIS AINDA O RAFA!

Sandy: ISSO NÃO FAZ SENTIDO NENHUM.

Eu: EU ESTAVA ARREPENDIDA, ESTAVA COM INTENÇÃO DE ME DESCULPAR POR FAZER BESTEIRA, MESMO NÃO TENDO FEITO POR MAL. MAS TU FOI BAIXA SANDY! MUITO BAIXA! MOSTROU A FOTO PRA MINHA MÃE!

Sandy: Confesso que foi num momento de muita raiva…

Eu: NÃO! TU ESPERAVA QUE ISSO ACONTECESSE! EU TAVA MAL, FUI A UMA FESTA PRA TIRAR FABRIZIO DA CABEÇA E ACABEI FAZENDO MERDA, MAS MESMO ASSIM PENSEI QUE TIVESSE UMA AMIGA! – parei pra respirar e consegui ver a cara dela, tava quase chorando – Quantas vezes tu não exagerou numa festa e EU tive que dar um jeito de nos levar pra casa? Quantas vezes Sandy? E a ÚNICA vez que isso aconteceu comigo, o que tu fez? Riu e tirou foto! TIROU FOTO! Realmente achei que tu tivesse excluído, mas tu nunca perderia  a chance de um dia me humilhar, não é?

Ela me olhava petrificada com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Eu parei de berrar porque não tinha mais ar, mas continuava igualmente puta com ela.

Percebi que estava quase chorando também, mas ao contrário dela as lágrimas eram de raiva.

Sandy: Eu também achei que tivesse uma amiga, achei que tivesse alguém com quem contar, mas essa pessoa traiu minha confiança, ficando com o único garoto do mundo que eu tava a fim, tava não, estou ainda gosto, mas tu fez a cabeça dele.

Eu: QUE? EU NÃO FIZ A CABEÇA DE NINGUÉM! NEM TODO MUNDO GOSTA DE TI! EU NUNCA SEI QUANDO TU REALMENTE GOSTA DE ALGUÉM, QUANTOS GAROTOS TU JÁ INTITULOU COMO TEU E DESISTIU DUAS SEMANAS DEPOIS? ACHEI QUE COM O RAFA FOSSE A MESMA COISA, ALIÁS, ACHEI NÃO AINDA ACHO ISSO! TU SÓ NÃO DESISTIU PORQUE EU ENTREI NA JOGADA E TU NÃO GOSTA DE PERDER PRA MIM. TU NEM GOSTA DELE!

Sandy: Gosto! Gosto sim…

Eu: SABE POR QUE TU FAZ ISSO? PORQUE TU NUNCA GOSTOU DE ALGUÉM DE VERDADE ANTES! ESCOLHE A PESSOA MAIS DIFÍCIL E NÃO PERCEBE QUE TEM ALGUÉM DO TEU LADO, QUE FARIA QUALQUER COISA POR TI! – eu me assustei com o rumo da conversa e com a minha boca grande. Não vou falar nada, só vou continuar gritando e ela vai achar que eu tava brincando.

Sandy: Isso é verdade? Ta me zuando Madu? Quem?

Quando abri a boca pra responder qualquer coisa ouvi barulho atrás de mim.

Sandy: Tu trouxe alguém. – ela disse se levantando.

Eu: Não.

Demorou um pouco, mas apareceu. Gordo e barbudo, o cara tinha cheiro de cachaça, nos olhava como se nunca tivesse visto humanos antes.

Cara: Já está tarde pra vocês estarem aqui.

Eu: Já estamos indo embora, vem Sandy. – ela correu rápido pro meu lado.

Cara: Acho melhor ficar aqui essa noite. É muito perigoso duas meninas lindas assim sair por aí.

Sandy: Nem fodendo. – dei uma cotovelada nela.

Eu: Muito obrigada, mas já estamos indo pra casa. – empurrei ela pro lado da floresta que era o único lado que podíamos sair.

O cara tava vindo atrás da gente.

Eu: CORRE SANDY! – nem precisei dizer duas vezes, parece que ela já sabia que eu ia gritar.

Cara: Eu não vou fazer mal a vocês, só quero conversar – ele falava e ria, nos seguindo.

Sandy: AH, COM CERTEZA! SÓ QUER NOS SERVIR CHÁ! JÁ ACREDITEI!

Eu: CALA A BOCA SANDY!

Era difícil de desviar das árvores com a velocidade que eu estava correndo, me arranhei inteira. Pra um tio gordo como esse, até que corria rápido, estava nos alcançando. Com o desespero o caminho de volta pra rua parecia muito mais distante.

Sandy: TROUXE O CELULAR? – ela falou pausadamente, quase sem fôlego.

Boa Sandy!

Peguei meu celular e digitei S.O.S, mandei pra última pessoa que me mandou sms. Espero que seja alguém que saiba onde eu estou.

Sandy: MADUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!

Parei de correr, ofegante. Olhei pra trás, ela tinha caído e o cara estava a um metro dela.

Estava mexendo no cinto da calça.

Eu: AI MEU DEUS!

O QUE EU FAÇO? PENSA MADU, PENSA PORRA!

Eu: PAAAAAAAAAAAAAARA! – eu berrei o mais alto que consegui. O cara me olhou rindo.

Mirei o celular nele e tirei uma foto.

Eu: PRONTO, AGORA TENHO UMA FOTO DO SEU ROSTO! O QUE COMPROVA QUE É UM PEDÓFILO!

Cara: Tu não vai fazer nada com isso, tu ta morrendo de medo.

Eu: Ah, não to não. – eu disse arriscando um sorriso, sim, eu estava coberta de medo. Acho que até os passarinhos conseguiam sentir meu nervosismo. Mas eu tentei parecer normal, ainda com o celular mirado nele. – é só eu apertar esse botão e eu mando pra todo mundo, inclusive pra polícia. E você ta ferrado.

Eu não sabia mandar pra ninguém, muito menos pra polícia, mas já que to mentindo vamos botar medo no tio, então.

Mas ele voltou a sorrir, sem medo nenhum.

Cara: Acha que eu nunca fui pra delegacia antes, meu amor? Eles me soltam logo depois. Ta muito fácil de fazer merda hoje em dia, ninguém liga.

Pronto, agora fodeu tudo de vez. Não sei mais o que podia fazer pra ajudar a Sandy.

Bem que ela podia ter se levantado e fugido enquanto eu chamava a atenção dele, neh? Mas Sandy nunca foi o cérebro do grupo.

O cara chegou mais perto dela. Ela me olhou e eu comecei a gritar, ela a chorar.

- PARADO AÍ!

Olhei pra trás. Estavam: Tadeu e Luck ARMADOS, apontando pro cara, e os outros mais atrás com cara de assustados.

Tadeu: TIRA AS MÃOS DELA AGORA MESMO! SE NÃO EU ATIRO!

Com isso sim, o cara ficou bem assustados. Dava pra ver os olhos dele arregalados olhando pra arma do Tadeu.

Eu: VEM SANDY!

Ela veio correndo e me abraçou. Não pude deixar de abraça-la de volta. Tava puta com essa mina, mas era bom saber que nada tinha acontecido com ela.

Luck: OK! JÁ QUE ESTÁ TÃO A FIM DE TIRAR AS ROUPAS, VAMOS COMEÇAR PELA CALÇA. – ele olhou estranho pro Luck, como se tivesse ficado louco. – VAMOS LOGO! NÃO ESTOU BRINCANDO!

Conclusão: Tadeu e Luck fizeram o cara ficar só de cueca e pegaram as roupas dele, nós saímos correndo logo depois.

Quando já não aguentávamos mais correr, deitamos no meio de uma rua escura e começamos a rir. Ri tanto que minha barriga começou a doer.

Recuperei o fôlego e disse:

Eu: Da onde vocês tiraram essas armas?

Tadeu: Em uma loja aí. – ele apontou a arma pra mim.

Eu: VIRA ISSO PRA LÁ.

Ele atirou e saiu água.

ÁGUA!

Eu: HAHAHAHAHAHAHAHA!

Sandy: O CARA SE PELOU POR CAUSA DE ÁGUA? HAHAHAHAHAHA!

Lizy: É, o Tadeu adora armas. Tem um monte dessas que parecem de verdade.

Todos riram.

Eu: Agora eu entendi porque as crianças não vão mais lá.

Luck: É, pedófilo do caralho.

Sandy: Como é que vocês chegaram aqui tão rápido?

Tadeu: Já estávamos por aqui.

Lizy: Pra ajudar a Madu, se ela precisasse.

Rafa: E precisou afinal não é?

Dany: A gente foi correndo depois que tu me mandou a sms.

Luck: Achei que ALGUÉM estivesse te matando com todos aqueles gritos.

Sandy: Já entendi.

Luck: É pra tu entender mesmo. – ele disse se virando pra ela, ainda deitado.

Sandy: Ah gente, me desculpem. É que eu fiquei com tanta raiva que acabei fazendo merda.

Dany: Quantas vezes tu fez a gente de otário Sandy e nós não fizemos nada? Mas tu traiu uma amiga por puro capricho.

Sandy: Argh, já falaram bastante, vão me perdoar agora?

Dany se levantou, soltando fumaça pelo ouvido, quase.

Dany: NÃO! Por mim nunca mais olhava na tua cara de novo. Espero que vocês pensem assim também. – ele acrescentou olhando pro resto das pessoas deitadas. Ele seguiu caminhando com a cabeça baixa.

Sandy: Qual é o problema desse menino? Ele ta precisando de uma namorada tirar toda essa tensão dele. Hahahaha – ela parou de rir quando viu que era a única que o fazia.

Me levantei rápido pra ver se conseguia alcançar ele.

Sandy: Madu? Tu me perdoa, neh?

Eu: Dessa vez não vai ser tão fácil Sandy.

Corri até ele.

Dany: Tu…

Eu: A gente vai ficar sem a Sandy por um bom tempo agora.

Sorriu amarelo, abracei ele forte pra dizer que tava ali.

A gente foi caminhando devagar e logo os outros estavam do nosso lado.

Ninguém tocou no “assunto Sandy”, nós só rimos de tudo que aconteceu. Principalmente da parte que o Tadeu gritou “PARADO AÍ” porque, segundo ele “sempre quis falar isso, que nem nos filmes”. Me contaram todo o trabalho que tiveram pra pegar as armas sem que os pais de Tadeu e Lizy vissem.

Estávamos indo pro bar do Beto quando o Dany chegou mais perto e disse:

Dany: Acho que agora tu vai conseguir ficar com o Rafa em paz.

Eu olhei pra ele, que ria muito com a piada que o Luck contou.

Sorri internamente.

É, espero que o Dany esteja certo.

-

FIM DE TEMPORADA

CLICA E LEIA A 2ª TEMPORADA 


Capítulo 23 - “Só quatro letras. M.E.N.R. O que isso quer dizer?”

Eu o soltei, ele falou baixinho:

Rafa: Tem certeza que tu ta bem?

Eu: Tenho sim, um pouco de dor de cabeça, mas vai passar. Obrigada de novo. – me levantei, coloquei meu tênis e caminhei até a porta.

Ele levantou e me segurou.

Rafa: Vai continuar fingindo que nada aconteceu?

Eu: Não to fingindo nada, só acho que…

Rafa: Tu ainda se importa com a Sandy, mesmo depois de tudo que ela te fez. - ele me interrompeu.

Eu: Sim, ela faz uma merda atrás da outra, mas continua sendo minha amiga.

Rafa: OK.

Ele me largou.

Rafa: Vai ver eu me enganei sobre ti também, defende tanto ela, gosta tanto dela e faz as coisas com a necessidade que ela aprove, talvez tu nem seja a garota de personalidade que eu achei que fosse.

Abri a boca pra responder, mas ele virou as costas e se atirou na cama. Saí de lá quase correndo.

Aquelas palavras ficaram ecoando na minha cabeça o caminho inteiro… não, ele ta enganado.

Não aguento mais tentar fazer as coisas certas e acabar me fodendo no final. Minha vontade era de dar meia volta e sacudir aquele menino dizendo tudo o que sentia pra ele, mas eu tinha que ter uma conversa definitiva com a Sandy primeiro.

Quando eu bati na porta da casa dela, quem me atendeu foi a mãe dela, dona Vera.

Dona Vera: Madu? Tudo bem?

Eu: Tudo sim Dona Vera. A Sandy ta aí?

Dona Vera: Não, dessa vez é verdade Madu. Ela foi à uma festa. Achei até que iam juntas.

Eu: A senhora sabe onde é?

Dona Vera: Não sei, querida. O que aconteceu entre vocês afinal?

Eu: Longa história, muito obrigada de qualquer maneira.

Droga, droga, droga, DROGA.

E agora? Vou pra casa dormir até o dia acabar? Boa ideia!

Cheguei em casa estavam os três me olhando feio. Pronto, fiz alguma coisa e não ia dormir tão cedo.

Eu: O quê?

Dudu: Onde é que você estava?

Eu: Desde quando te devo alguma satisfação, moleque?

Pai: Responde teu irmão, Maria Eduarda – ele tava com uma cara de triunfo. Ou seja, to realmente ferrada.

Eu: Por que ta todo mundo com essa cara?

Pai: RESPONDE! – ele se levantou e minha mãe o segurou.

Olhei pro Dudu pra pedir ajuda ou alguma explicação. Ele tirou o celular da minha mãe do bolso.

Dudu: Olha isso – colocou o celular na minha cara.

Eu: Mas o que… Ah, não.

Era a foto…

A FOTO!

Eu: Quem mandou isso? – eu perguntei, mas já sabia a resposta.

Pai: Isso não importa, tu é uma pirralha e fica por aí… Olha essa foto! Como tu deixa isso cair nas mãos da tua mãe? Sua imprestável!

Mãe: Calma.

Ele realmente não me parecia nervoso, só tentando botar medo em alguém. Nunca conseguiu comigo, e ele sabe disso.

Pai: Não tem calma, nunca quis essa menina mesmo. Se ela, pirralha desse jeito, já faz essas coisas, imagina quando crescer.

Eu: Eu quero falar com minha mãe, sozinha.

Pai: Chega em casa a hora que quer e ainda acha que manda em alguma coisa, pirralha abusada, ta precisando de umas…

Eu: PARA DE FINGIR QUE SE IMPORTA COM ALGUMA COISA, POR FAVOR! TU NÃO ENGANA NINGUÉM! VE SE CALA A BOCA E ME DEIXA FALAR COM MINHA MÃE!

Mãe: Que isso Madu? Teu pai te ama e ele está certo. Achei que a essas alturas tu já sabias o quanto isso é errado e prejudicial pra você. Eu confiava em ti minha filha.

Eu: Mãe, isso aconteceu ha tanto tempo atrás, eu tinha a recém terminado com o Fabrizio. Eu tava mal e fiz merda, mas…

Pai: Não tem desculpa Madu!

Eu respirei fundo pra não atacá-lo naquele exato momento. Me controlei e me dirigi ao Dudu:

Eu: Tem algum recado com a foto? Alguma legenda?

Dudu: Só quatro letras. M.E.N.R. O que isso quer dizer?

Eu: Não sei. – mentira, eu sabia que ela queria me dizer alguma coisa com aquilo, só não sabia o que. Sandy e eu, muitas vezes nos comunicávamos por iniciais. Pra que ninguém mais saiba do que estávamos falando. Mas M.E.N.R. eu não sabia o que era.

Olhei pra minha mãe, ela estava com uma cara de desapontamento que me deixou envergonhada. Resolvi sair de lá, não estava mais aguentando aquele clima pesado.

Pai: Aonde você vai? Não acabamos a conversa ainda…

Eu: Acabamos sim, desculpa mãe.

Quando fechei o portão da minha casa, tirei meu celular na hora.

Eu: Luck, é a Madu! Mudei de ideia! To indo pra tua casa agora!

Luck: Mudou de ideia? Do que…? MUDOU DE IDEIA? SÉRIO! POOORRA! DEMOROU, MAS MINHA MADUZINHA VOLTOU! VEM LOGO! – ele gritou tanto que eu tive que afastar o telefone do meu ouvido.

Fiquei pensando em como fazer picadinho da Sandy o caminho inteiro que até me assustei quando já estava lá. Paguei o taxista e entrei.

Luck: Tu ta horrível Madu!

Eu: Valeu, Luck.

Luck: Sério, tu não vai conseguir pensar em nada que preste assim. Vai tomar um banho e dormir um pouco. Depois nós conversamos.

Ele não falou mais nada, só colocou uma toalha na minha mão e me empurrou pro banheiro. Nem discuti, estava tão cansada.

Me olhei no espelho e tive que concordar com ele, estava horrível. Com o cabelo todo bagunçado, e eu não estava só me sentindo suja, eu realmente estava. Não conseguia nem pensar no que eu fiz no começo do dia, a única coisa que vinha na minha cabeça era “foi um dia daqueles”.

-

Quando acordei na cama do Luck, estava me sentindo bem melhor, mesmo com tudo acontecendo.

E a primeira coisa que pretendo fazer é esse plano com o Luck dar certo. Não gosto muito da palavra “vingança”, mas eu não vou ficar sentada vendo essa menina foder com minha vida, no mínimo vou fazer alguma coisa em troca. Ainda mais depois que ela mostrou a foto pra minha mãe…

Dany: ELA MANDOU ‘A FOTO’ PRA TUA MÃE?

Eu: Pois é Daniel, pra você ver como ela ta merecendo…

Dany: NÃO TO ACREDITANDO, COMO ELA CONSEGUIU?

Eu: Não sei como ela conseguiu o número da minha mãe, pra co…

Dany: ELA MENTIU PRA GENTE, MADU. ELA DISSE QUE TINHA EXCLUIDO A FOTO!

Eu: Mas não ex…

Dany: DESSE JEITO, ATÉ DA VONTADE DE AJUDAR VOCÊS!

Eu: Tu pode aju…

Dany: E EU VOU…

Eu: Da pra parar de me interromper? Obrigada.

Dany: Desculpa, tu me pegou de surpresa. Não sabia que a Sandy era tão vingativa a ponto de guardar todo esse tempo a foto e ainda mandar pra tua mãe.

Eu: Sei como é. Não tenho mais pena dela.

Lizy: Pena de quem?

Eu: Lizy? – ela entrou primeiro e atrás dela estava todo mundo.

Tadeu: O Luck chamou todo mundo e disse que era urgente. Tamo aqui! – ele abriu o sorrisão e se largou no sofá.

Passaram-se algumas horas e estávamos todos jogando carta e bebendo quando eu realmente entendi.

Eu: PUTA QUE PARIU! SOU MUITO BURRA!

Luck: Só agora que tu se tocou Maduzinha?

Eu: Hahaha, não enche Luck! Que dia é hoje?

Luck: Não faço a mínima ideia!

Me levantei procurando o celular, precisava ver um calendário.

Dany: Madu, hoje é sexta-feira.

SEXTA-FEIRA!

Eu: Obrigada – sentei de novo e todos estavam olhando pra mim. – que?

Tadeu: Fumou uns e nem nos chamou é?

Dany: O que tu entendeu?

Eu: A legenda da foto que a Sandy mandou pra minha mãe dizia: M.E.N.R. Dany.

Dany: Ah.

Tadeu: Agora entendi – ele falou, ironizando.

Dany: Madu e Sandy falam em códigos pra ninguém entender, isso sempre me irritou.

Luck: E o que quer fizer M.E.N.R.?

Eu: Ela quer que eu a encontre no riacho, amanhã às 17h30min.

Tadeu: POOORRA! Tu entendeu tudo isso com quatro letras?

Eu: Me Encontra No Riacho. A última vez que eu falei com ela em códigos foi isso que eu disse.

Rafa: Tu não está pensando em ir, não é?

Eu: Claro que eu vou.

Lizy: A gente vai contigo então.

Eu: Ela quer falar comigo sozinha e eu concordo. Vou tentar terminar com isso calmamente.

Luck: A gente já não tinha concordado que não da pra confiar nessa doida, Maria Eduarda? – ele disse atirando as cartas na mesa e me olhando severamente. Tive que rir da expressão dele.

Eu: Tenho que ir Luck. Minha última chance de acabar logo com isso.

Ele fez cara de quem não concorda, mas ficou quieto.

Nessa: Achei que a gente estava aqui justamente pra decidir o combate. Achei que fosse guerra.

Eu: Ela não vai me atirar riacho abaixo, gente.

Luck: Tem certeza?

Eu: Tenho! HAHAHAHA!

Logo depois disso, eles foram embora. Despedi-me de cada um separadamente, eles me davam dicas de lutas. Como se eu realmente fosse a uma guerra, só concordava com a cabeça e fingia estar ouvindo.

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(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 22 - “Tem que curtir mais a vida Maduzinha! A juventude é muito curta”

Rafa: Quem tu acha que é pra chamar a Madu de vagabunda? TU fica se jogando pra mim desde que eu cheguei nessa escola. EU nunca quis ficar contigo! Eu gosto da MADU! Vê se bota isso logo na tua cabeça doida.

Ele falou isso num tom muito agressivo, até eu fiquei com medo. Mesmo falando que gosta de mim…

A Sandy fez cara de choro, eu sabia que ela tava arrasada com aquilo tudo que ele falou. E com certeza devia estar me odiando mais ainda por ser ‘a garota’ que ele gosta.

Ela tentou disfarçar e sorriu, chegou mais perto do Rafa e eu consegui ouvir:

Sandy: Então vai negar tudo que aconteceu entre a gente?

Pela primeira vez o olhar do Rafa vacilou, a expressão dele mudou pra medo. Não entendi muito bem, mas não conseguia falar nada.

Luck: Ah, Na festa? Nem tem como negar, neh? Tu agarrou ele a força. - Luck falou se levantando, tava na pilha de xingar ela também.

Sandy: Não fala o que tu não sabe Luck. Eu não forcei nada, e o Rafa sabe disso. - ela respondeu sem tirar os olhos de Rafa que agora tava quieto, segurando minha mão.

A Sandy passou a mão no rosto dele antes de ir embora com os caras mal encarados.

Luck: Essa mina ta cada vez mais pirada velho.

A gente sentou de novo e o Dany olhou pro Rafa:

Dany: Do que ela tava falando?

Rafa: Não faço a mínima ideia.

Foi um silêncio bem estranho cortado pelo Luck.

Luck: Tu continua com a decisão de não fazer nada contra essa menina?

Eu: Não, já tenho um prato cheio de problemas sem precisar pensar em como me vingar da Sandy.

Tocou o sinal.

Não, nem fodendo eu ia voltar pra sala de aula.

Eu: Não quero voltar pra sala, quem ta a fim de matar comigo?

Todos levantaram.

Eu: Beleza.

Rafa: E como se faz pra matar aula aqui? Na minha outra escola a gente tinha que pular muro.

Dany: O Luck tem outro jeito, certo? - fui olhar, mas ele já não estava lá.

Ele sumiu e eu comecei a me irritar, daqui a pouco a tia aparece pra mandar todo mundo pra sala e o Luck acha de sair por aí sem dizer onde vai.

Eu: Vamos logo, eu mando um sms pra ele depois. – Já ia começar a caminhar quando ele aparece com o Pedro, um garoto do terceiro ano conhecido e desejado por todas as meninas da escola, mesmo quase todas já tendo dado pra ele.

Eu: Qual é a tua Luck?

Luck: Tu não quer matar aula, porra? Fui achar quem nos ajude a sair dessa merda.

Pedro: Já ta quase todo mundo nas salas de aula, a gente tem que sair daqui agora e ir pra quadra abandonada.

Eu: Não é mais fácil a gente pular o muro do lado da sala de música? Foi assim que eu fiz o ano passado inteiro.

Pedro: Eu também fazia isso, mas o diretor filho da puta descobriu e colocou um monitor pra lá. Tu não viu não Madu?

Ele sabe meu nome? … OK.

Eu: Não tive chance de ir lá ainda.

Ou seja: tava com uma puta preguiça de caminhar até lá.

A gente foi até a quadra abandona, não sei o que aconteceu com aquela quadra, mas era uma história meio sombria, foi o que eu fiquei sabendo pelo menos quando perguntei ano passado.

Lá tem um muro meio torto, meio derrubado, não sei dizer muito bem. Só que tinha cerca elétrica, é não sei quem foi o retardado que colocou cerca elétrica em um muro de escola.

Passei com um pouco de dificuldade, mas foi normal. Menos desconfortável do que pular o muro, confesso.

O Dany que se arranhou, mas não reclamou. Tenho certeza que se estivesse só nós dois ele ficaria dois anos falando mal das cercas, que era errado estar ali e blablabla, mas a idiotice de que homem tem que manter a pose de macho, não importa o quanto tenha se machucado, o fez ficar quieto.

Eles foram caminhando até a Praça Muito Doida do lado da EVEM, eu não tinha o que fazer, nem pra onde ir, só os segui e sentamos da grama verdinha do lado de uma árvore. Rafa sentado do meu lado, eles falavam e eu só ouvia… ouvia em partes. Mais pensava do que qualquer outra coisa.

Pedro puxou um baseado do bolso e acendeu.

Eu: Véi, estamos em uma praça, onde pode chegar uma criança a qualquer momento. Não vai esperar nem anoitecer?

Pedro: Desde quando alguma criança vem na Praça Muito Doida? Fala sério Madu, deixa de ser santa! Aí: traga.

Ele colocou o beck na minha cara, eu empurrei o braço dele.

Eu: Não, obrigada.

Luck: Não estou mais te reconhecendo Maduzinha! O que aconteceu? Desabafa pra nós, somos seus amigos.

Ele falou isso e ficou me olhando esperando uma resposta. Tive que rir daquela cara que ele tava fazendo.

Eu: Não é nada não Luck, só não to a fim de fumar. Qual o problema?

Luck: Tem que curtir mais a vida Maduzinha! A juventude é muito curta, blablabla, passa logo esse beck Peter. - Ele tragou e ia continuar o discurso dele. Falei antes:

Eu: Na moral, não enche o saco Luck. Fuma tua erva aí e me deixa.

Ele fez uma cara de ofendido. Não devia ter falado aquilo, soou muito grosseiro com quem só queria me ajudar, mas o que eu menos preciso agora é de alguém mandando eu curtir a porra da minha vida de merda. Eu fiz uma cara de “ta, me da isso aqui logo”. Traguei, e foi aquela sensação que eu não sentia há muito tempo, fantástico. Na segunda rodada quando o beck parou em mim de novo, Pedro disse:

Pedro: Você ta meio magoada por causa da Sandy, não é? Não liga pro que tão falando não! Uma hora ou outra todos vão perceber que a verdadeira vadia da EVEM é ela.

Dany: Tu conhece bastante a Sandy assim é?

Pedro: Mais do que queria pra falar a verdade. Sei todos os podres dessa mina, sou vizinho e ex - melhor amigo dela.

O Luck abriu aquele sorrisão maligno dele, eu sabia muito bem o porquê.

Eu: NÃO Luck!

Luck: PORRA MADU! O DESTINO TA QUERENDO SE VINGAR DA SANDY, OLHA SÓ QUEM JUSTAMENTE EU CHAMEI PRA MATAR AULA COM A GENTE? O EX-MELHOR AMIGO DA PIRANHA…

Ele se interrompeu e começou a rir.

Luck: Caralho, eu falei “piranha” HAHAHAHAHA!

Pronto, já tava fazendo efeito. Foi engraçado, mas não tanto assim.

Luck: Enfim – ele falou depois de meia hora secando as lágrimas de alegria dos olhos – o que eu ia dizendo? Ah, TU NÃO PODE RECUSAR AS EXCELENTES HISTÓRIAS DE PUTARIA QUE O PEDRO DEVE SABER DELA! POR FAVOR, MADUZINHA, ESTOU TE EMPLORANDO!

Eu: Nah Luck. Quero esquecer logo essa história e não botar mais lenha na fogueira.

Luck: OK, OK! DESISTO! – ele disse e arrancou o beck do mão do Dany que ficou olhando feio pra ele.

Depois de um tempo apareceram mais gente, mais baseados. Quando percebi estava doida demais até pra saber se era dia ou noite. Ria até da formiga caminhando na minha frente porque ela tava “carregando uma folha nas costas”.

Deitei ali mesmo, vendo o céu que estava escuro e cheio de estrelas piscando e falando comigo.

Rafa: Ta tudo bem aí Madu?

Eu: Não consigo levantar, hahaha.

Rafa: Vem aqui que eu te ajudo – ele disse rindo e me puxando.

Ele foi bem delicado puxando meus braços pra eu me levantar, eu que sou escrota e não conseguia me equilibrar. Quase caí umas três vezes, ele colocou meu braço em volta do pescoço dele e seu braço na minha cintura. Me deu uma vontade de deitar de novo e nunca mais sair de lá.

Eu: Preciso ir pra casa, não to bem.

Rafa: Eu sei, vou te levar.

Eu: Rafa… – olhei pra ele…

-

Acordei em um quarto com paredes azuis e cheio de pôster. Sentei na cama colocando a mão na cabeça, consegui reconhecer: quarto do Rafa.

Rafa: Eaí? Ta melhor?

Eu: Não muito, na verdade.

Ele voltou pra cozinha e me trouxe um chá, odeio chá. Porra ruim do capeta, mas eu tomei e agradeci.

Eu: Rafa? O que eu to fazendo aqui?

Rafa: Bem, todo mundo foi pra casa do Luck então tu não podia ir pra lá, nem na casa do Dany, eu pensei que tu ia se ferrar se fosse pra tua… tu não tava muito normal e teus pais iam perceber então te trouxe pra cá. – ele falou isso rápido e gesticulando com as mãos como se já tivesse ensaiado essa fala várias vezes.

Eu: Ah valeu mesmo… Até fumado tu consegue raciocinar?

Ele sorriu modesto e sentou do meu lado mais tranquilo já que não o xinguei por ter me trazido pra seu quarto. Nunca faria isso, ele me ajudou. De novo.

Eu tava com vergonha de perguntar aquilo, mas não podia ficar em duvida.

Eu: Ham… por acaso… rolou alguma coisa… tipo…

Eu olhei pra ele, demorou alguns segundos pra entender, mas por fim:

Rafa: Quê? Não, não, não, não. Eu dormi no chão.

Que guri fofo e bobo, neh? Nem precisava ter saído da própria cama.

Sorri pra ele e o abracei, era o máximo que eu podia fazer. Só imagino se ele não estivesse lá, daria um jeito de ir pra casa, meu pai surtaria e minha mãe ia me ver daquele jeito.

O que menos quero agora é desapontá-la.

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(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 21 - “Tem certeza?”

Quando acordei, ele ainda estava dormindo sem camisa do meu lado.

Eu: Rafa!

Rafa: Hum? - esse menino acorda muito rápido.

Eu: A gente precisa ir pra aula.

Rafa: Tem certeza? - ele falou com a voz abafada pelo travesseiro.

Eu: Hahaha, sim!

Rafa: Ta, já levanto.

Fui tomar um banho rápido e quando saí ele já estava me esperando.

Rafa: Não trouxe minha mochila e agora?

Eu: Te empresto, vamo logo. - o empurrei em direção a porta.

Não havia ninguém em casa, finalmente.

Eu: Tu sabia que a Lizy é lésbica, neh? - eu tentei quebrar o silêncio constrangedor enquanto íamos pra EVEM.

Rafa: Como tu sabe? Ela me contou isso em segredo.

Eu: Vi ela ficando com uma guria na festa, ontem.

Rafa: Pois é, ela sofre muito por isso. O Tadeu ficou uns 3 dias dormindo lá em casa depois que soube. Tentei convencer ele de que não é nada demais e que ela precisava do apoio dele. É tão idiota pensar que em pleno século 21 ainda existam pessoas que dão mais importância pro que nós fazemos em quatro paredes e não o essencial, nossa personalidade.

Eu: Tem muita gente babaca por esse mundo.

Rafa: É… e foi muito bom ontem… - ele falou isso do nada olhando pro chão.

Eu: Foi, mas… acho que não podemos repetir, a…

Rafa: Sandy, eu sei. Vou te confessar Madu, a Sandy ta me deixando cada vez mais furioso. Ela faz o Dany sofrer todo o dia sem nem se importar, quase fez minha amizade com ele acabar e ainda te deixa com esse peso na consciência. Essa menina ta precisando ouvir umas boas verdades, ela não merece os amigos que tem.

Eu: Tu diz isso porque não conheceu o outro lado da Sandy. Já passamos por muitas coisas juntas, ela já me ajudou muito. É histérica e doida às vezes, mas ela faz essas coisas sem querer.

Rafa: Duvido muito que seja - olhei feio pra ele - é sério Madu. Ela faz de tudo pra magoar vocês.

Eu: Não quero discutir contigo Rafa.

Rafa: OK.

Ele falou “OK” enquanto eu mostrava o crachá pra porteira.

Lá dentro estava lotado, tinha esquecido como ficava a escola no horário certo. Depois de tantos atrasos, mas o que tinha esquecido mesmo é que as pessoas olhavam tanto pra mim…

Não, isso não é normal… vai ver eu estou ficando paranoica ou coisa assim…

Rafa: Por que ta todo mundo olhando pra gente?

Eu: Achei que estivesse imaginando.

Rafa: Não e ta me olhando por que idiota? To com merda na cara, por acaso?

Eu: Rafa, cala a boca. Aquele guri é do time de basquete ele te quebra em dois se quiser.

Rafa: Quero ver ele tentar.

Eu: Hahahaha! Ta bom, vamo pra sala de uma vez valentão.

Rafa: Ah não começa a me zuar Madu! Não to de bom humor.

Eu: Já percebi - falei empurrando ele em direção à sala de aula.

A sala estava praticamente vazia, sentei na penúltima classe e o Rafa sentou na minha frente, como de costume.

Eu: Será que a Sandy vem hoje?

Rafa: Não sei. To mais curioso pra saber o porquê estavam nos olhando, coisa bizarra.

Dany: Eles não estavam olhando vocês, estavam olhando a Madu! - ele e o Luck entraram e sentaram do nosso lado.

Eu: Eu? Por quê?

Dany: Bem… É que… Olha…

Luck: A Sandy aprontou pra ti de novo.

Eu: Quê? O que ela fez?

Luck: Basicamente espalhou pra escola inteira que tu é uma vadia ladra de namorado e que da pra qualquer um. Tu sabe como ela é famosinha na escola, neh? Todo mundo acreditou nela e ficaram contra ti, claro.

Rafa: LADRA DE NAMORADOS? NAMORADO? COMO ASSIM, VÉI? SÓ PODE TA ZUANDO COMIGO!

Dany: É o que tão falando pra todo lado.

Rafa: Eu não falei Madu? Aquela guria é uma vadia do caralho! Concorda comigo agora?

Eu tava chocada demais pra responder, nunca liguei pra minha reputação na escola, na real nem tinha uma o máximo de reconhecimento é quando alguém fala “olha, a guria que fica com a Sandy”, mas ninguém sabe meu nome. Agora sabem… ou eu só virei “a guria vadia do segundo ano” não sei, foda-se também.

A professora entrou e expulsou os meninos. A aula inteira passou com o Rafa me lançando olhares de “eu sinto muito” ou “eu bem que avisei”.

Odeio quando me falam “eu bem que avisei”, pois é… NÃO ADIANTOU IDIOTA!

Ela não entrou nos três primeiros períodos, quando bateu pro intervalo o Rafa me arrastou até o ginásio, não estava nem um pouco a fim de enfrentar os olhares de gente escrota que faz muito pior e ainda fica querendo pagar de bom moço.

Luck: Relaxa Madu! Daqui a pouco acontece mais alguma coisa catastrófica e eles se esquecem da tua existência.

Eu: Ah, valeu Luck.

Luck: Mas eaí? O que tu vai fazer?

Eu: Como assim?

Luck: Quê? Vai deixar barato?

Eu: Sei lá Luck, eu queria sentar e resolver isso logo, como gente grande! - ele revirou os olhos.

Luck: E desde quando tu pode tratar a Sandy como gente grande? Ela nunca vai entender, vai ser sempre uma criança mimada Madu!

Eu: Mesmo assim, já tenho bastante problema sem a Sandy…

Luck: Cadê aquela Madu que não levava desaforo pra casa? Que me ajudava com os planos? Vai deixar ela ganhar a guerra sem nem lutar?

Eu: Dessa vez, vou.

Luck: OK, então. - ele me olhou com cara de desapontado, foi minha vez de revirar os olhos.

Sempre gostei de ajudar o Luck a fazer planos contra os inimigos dele, era foda ver um se vingando do outro. Mas dessa vez eu queria tentar resolver de outra forma… uma forma mais normal digamos. Sem envolver humilhação na frente da escola, sem pegadinha no meio da rua ou super mico no meio de um restaurante…

Enquanto eu brisava sobre o que o Luck pensava fazer com a Sandy ela chegou com uns caras atrás dela.

Me lembrou muito aqueles filmes da sessão da tarde onde a “popular da escola” vai humilhar os “losers” pensando nisso até ri da cara dela.

Sandy: Ta rindo do que Madu? Gostou da surpresinha que eu montei pra ti hoje?

Eu: O que? Toda essa atenção? Amei.

Sandy: Achei mesmo que tu ia amar.

Eu: Mas fala sério Sandy, qual vai ser a próxima mentira? Que eu roubei o Boby? - Falei rindo. O Boby era o urso de pelúcia que ela dorme agarrada, odeia quando eu toco nesse assunto. E eu fiz questão de tirar aquele sorrisinho idiota da cara dela.

Sandy: Mentira? Tudo que eu disse foi verdade! Ou vai negar agora? - ela falou mais agressiva dessa vez, tudo porque eu falei do Boby.

O Rafa se levantou e ela mudou completamente, olhou pra ele e piscou. Que mina pirada. Aquela cara que o Rafa tava fazendo me assustou, ele podia falar o que não podia pra ela. Levantei também pra segurá-lo.

Sandy: Eaí Rafa? Espero que nada disso tenha mudado teus sentimentos por mim.

Rafa: MEUS SENTIMENTOS POR TI? HAHAHAHAHA!

Sandy: Eu quis ensinar uma lição pra essa vagabunda aqui.

Ele parou de rir na mesma hora e colocou o dedo na cara dela.

Rafa: Quem tu acha que é pra chamar a Madu de vagabunda?

«Capítulo 20                                                                             Capítulo 22»

(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 20 - “Véi, a Lizy é…?”

Eu: Vocês não vão chamar o Rafa?

Dany: Eu chamei, mas ele disse que ta esperando alguém pra resolver um assunto importante.

Lizy: Queria saber que assunto é esse…

Tadeu: Deixa de ser metida Liziane, cada um com seus problemas…

Lizy: NÃO me chama de Liziane…

Deixei os dois discutindo e arrastei o Dany pra atravessar o mar de gente à nossa frente. Chegamos no balcão onde pegamos as bebidas.

Dany: A bebida daqui é ótima.

Eu: É, mas eu odeio a playlist deles.

Dany: Se beber bastante tu dança e nem percebe que música ta tocando.

Eu: Hahahaha, boa ideia. O que tu acha?

Ele abriu um sorrisão. Dany e eu já fizemos uma competição de quem ficava bêbado mais rápido, eu sempre ganho, mas ele continua jogando acho que é só uma desculpa pra ele beber sem culpa.

Depois de algum tempo bebendo e rindo chegou uma guria no Dany e não o largou mais, ficaram se agarrando e eu achei melhor sair dali. Isso é bom, pra ele esquecer a Sandy um pouco.

Bebi mais umas 3 garrafas e a festa já estava perdendo a graça, cada vez que um cara conseguia prender minha atenção, eu pensava no Rafa.

Aquilo tava me deixando agoniada. Por que ele não veio pra festas? Que será aquele assunto importante?

- Ai! Tu mordeu minha língua.

Eu: Foi mal. To indo pra casa.

- Não, peraí! Não foi tão ruim a mordida ainda consigo beijar e eu gosto de algumas coisas selvagens…

Eu: HAHAHAHAHA! Não vai ser comigo, desculpa - saí de lá o mais rápido que consegui.

Eu preciso falar com o Rafa, mas onde é que ele se meteu?

Enquanto eu procurava a saída avistei a Lizy se agarrando… com uma outra garota.

Luck: A LIZY É LÉSBICA, VÉI! HAHAHAHAHAHAHA!

Ela ouviu as gargalhadas do Luck e se desvencilhou da menina.

Lizy: Madu! Tudo bem de… - ela parecia meio constrangida e mesmo assim olhando como se tivesse me testando.

Eu: Por mim tudo, ué! Tu continua a mesma Lizy pra mim! - ela abriu um sorriso e me abraçou.

Lizy: Vamos lá na rua.

Me arrastou até a calçada e acendeu um cigarro.

Lizy: O Tadeu ja sabe, mas meus pais não, eles não vão aceitar de boa. Vão me crucificar. Tenho certeza então se tu puder…

Eu: Eu? Não vou falar nada pra eles, lógico que não. Mas tu vai ter que abrir o jogo uma hora ou outra Lizy. É quem tu é, tu não pode ficar se escondendo.

Lizy: Eu sei - ela falou desanimada - mas eu tenho certeza que eles não vão entender, meu pai é totalmente contra. Ele ta sempre dizendo “bem feito” quando aparece na TV que algum gay foi espancado. Imagina se ele descobre que a filha dele também é, tenho até medo Madu.

Eu: Não sei o que dizer, nunca passei por isso… mas o Tadeu te apoia certo?

Lizy: No começo ele zombou e disse que eu era uma aberração, mas pediu desculpas e agora até brinca dizendo que “jogamos no mesmo time”.

Eu: Vai ver com o apoio dele teus pais compreendem mais rápido…

Lizy: Duvido muito, mas vou falar com eles mesmo assim. Seja o que for. Valeu por aceitar tão rápido, viu?! Nem todas as minhas amigas reagiram assim, a maioria fica com medo de me abraçar hoje em dia.

Eu: Argh, é ridículo que ainda exista gente com esse pensamento.

Ela me abraçou de novo, apagou o cigarro e antes de entrar perguntou:

Lizy: Vai vir?

Eu: Não, vou pra casa.

Lá vou eu à pé de novo.

Quando abri o portão de casa estranhei que as luzes ainda estavam ligadas. Entrei e joguei meu casaco no sofá.

Pai: Ai!

Eu: Desculpa, não te vi aí.

Pai: Fica atirando casaco pra tudo que é lado.

Eu: Já me desculpei.

Pai: Achei que tu não ia chegar mais hoje.

Eu: Só agora percebi que já era tarde.

Pai: Tua mãe disse que tu estava na casa da Sandy, mas eu duvido. Ainda mais com esse cheiro de bebida.

Eu: Eu não to bêbada, pai.

Pai: Não duvido de mais nada, com os amigos que tu tem. Não duvido que esteja fumando maconha…

Te controla Madu, te controla! Tu prometeu a tua mãe.

Eu: Boa noite. - Caminhei até a porta do meu quarto e ele me seguiu:

Pai: Não precisa fingir que é educada, tua mãe não ta em casa.

Eu sorri:

Eu: Não sou eu que passo 24 horas do meu dia encenando ser um pai preocupado. E eu sou muito educada, minha MÃE fez um bom trabalho.

Quando eu coloquei a mão na maçaneta ele agarrou forte meu braço e cochichou:

Pai: Tem um guri aí te esperando, vou ter que sair, mas teu irmão está em casa então tudo que ele ouvir saindo desse quarto eu vou saber!

Ele me soltou e saiu.

Aquele idiota deixou meu braço vermelho e dolorido, não pude conter meu pensamento de “podia ser ele que estivesse doente…”

Parei de pensar em tudo quando entrei no meu quarto e dei de cara com o Rafa dormindo na minha cama.

Cheguei mais perto pra ver se não era uma miragem.

Mas não.

Eu: Rafa? Rafa! - cutuquei ele.

Rafa: Madu, oi! - ele se sentou com a cara amassada, mas mesmo assim continuava lindo…

Sacudi a cabeça pra não pensar nisso.

Eu: O que tu ta fazendo aqui?

Rafa: Preciso falar contigo é um assunto importante e não podia ser na escola…

Assunto importante, ele só podia estar brincando comigo.

Eu: Também queria falar contigo, mas não sabia onde te procurar…

Ele se levantou e foi chegando mais perto, minha respiração foi acelerando.

Eu: Rafa…

Rafa: Eu quero ficar contigo, de vez. Sem ninguém interromper…

Eu: Mas…

Ele me beijou, de novo foi aquele arrepio, aquele arrepio que não tenho com muitas pessoas, a última vez foi com o Fabrizio ainda…

Por que eu fui pensar no Fabrizio logo agora, caralho?

O Rafa ta aqui beijando meu pescoço, com a mão nas minhas costas levantando minha blusa, depois meu sutiã…

«Capítulo 19                                                                             Capítulo 21»

(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 19 - “Festa em plena Terça-feira?”

Eu: Vamos embora?

Mãe: Ué, não gostou da comida?

Eu: To satisfeita.

Quando ela levantou, esbarrou na garçonete que estava passando com a bandeja na mão. Os copos caíram e se quebraram. Com o estardalhaço todo mundo nos olhou, inclusive ele.

Mãe: Ah, me desculpa moça.

Fabrizio: Dona Lúcia, como vai a senhora?

Mãe: Fabrizio? O que você está fazendo aqui? Não devia estar em outra cidade com sua tia? O que você tinha que fazer lá mesmo? Ajudá-la na fazenda?

Fabrizio: É, isso. Mas ela não precisa mais do meu serviço… Deixa que eu te ajude com isso. - se agachou pra ajudar a garçonete ou cantar ela, mais provável.

Ele vira um anjo perto da minha mãe, foi sempre assim. Nunca tive coragem de contar pra ela o porquê nós terminamos.

Fabrizio: Tudo bem Madu?

Eu: Aham.

Minha mãe pagou tudo e fomos embora, no caminho ainda tive que ouvir isso:

Mãe: Gosto desse rapaz. Nunca entendi porque vocês terminaram.

Eu: Tem muito cara legal por aí, não vou ficar me prendendo a um que é idiota.

Mãe: OK, não falo mais sobre isso.

Eu: Mãe, tu te importa de voltar sozinha? Quero passar na casa da Sandy antes…

Mãe: Pode ir, te cuida minha filha.

-

Foi a mãe da Sandy quem me atendeu.

Dona Vera: Ham… Ela não ta em casa Madu…

Eu: Olha dona Vera, não precisa mentir não. Eu sei que ela ta aí. Só diz que nós precisamos conversar e que ela sabe onde me encontrar.

Dona Vera: Digo sim, pode deixar. - ela falou alto e depois cochichou: Me desculpa.

Meu celular tocou.

Dany: Onde tu ta?

Eu: To saindo do prédio da Sandy.

Dany: Eu já fui aí, ela não quer ver ninguém, neh?

Eu: Pois é.

Dany: Cola aqui em casa que to precisando falar contigo.

Eu: To indo.

Nem precisei entrar na casa dele e já o encontrei, sentado na calçada com toda a galera do lado, só não enxerguei o Rafa… estavam todos bebendo, lógico.

Eu: Eaí?!

Luck: Chegou rááápido.

Eu: Já tava na rua.

Tadeu: Sentaí Madu.

Sentei e peguei uma garrafa também.

Eu: Luck, foi mal por ontem. O fiasco e tal…

Luck: Não foi nada, na real até animou a festa, vocês não acham?

Dany: Luck!

Luck: Quê?

Lizy: Tu conseguiu falar com ela depois daquilo?

Eu: Não, ela se esconde. Fui na casa dela hoje, mas nada…

Luck: Essas criancices me deixam puto.

Tadeu: Ela pareceu ser legal quando eu a conheci…

Luck: A Sandy é legal Tad, ela só é impulsiva demais, metida demais, criança demais e…

Dany: Já deu Luck…

Luck: To falando sério, ela fode com todo mundo e não ta nem aí, mas quando alguém faz alguma coisa com ela, mesmo que seja uma coisa pequena ela fica louca e…

Eu: O problema é que dessa vez não é uma coisa pequena, é?

Lizy: Duvido que a Madu tenha feito alguma coisa além de beijar ele.

Eu: Claro que não véi…

Luck: Eu duvido que a Madu tenha feito de caso pensado.

Eu: Lógico que não…

Dany: A Madu é doida, mas ela não faria nada disso por gosto.

Eu: DA PRA VOCÊS PARAREM DE FALAR DE MIM COMO SE EU NÃO ESTIVESSE AQUI? OBRIGADA!

Tadeu: Ela que está perdendo uma amizade por pouca coisa, Madu. Foda-se ela!

Luck: Foda-se ela!

A Lizy me olhou concordando.

Eu: OK!

Começou a tocar uma música muito louca que me lembrou Slipknot, olhei pros lados pra saber da onde vinha.

Luck: Com licença… FALA MEU BRÓDI! O QUE TEM PA NÓIZ HOJE? - ele se levantou e atendeu o celular. Voltou logo depois pulando, parecendo uma criança.

Luck: TA AÍ O QUE A GENTE PRECISAVA! FESTA! QUEM TA COMIGO?

Lizy: Eu vou!

Tadeu: Já to lá!

Eu: To sem grana.

Dany: Festa em plena terça-feira?

Luck: TODO DIA DANIEL! QUAL O PROBLEMA DE VOCÊS? SÃO SEMPRE QUEM EU TENHO QUE CONVERCER!

Eu: Para de causar Luck. Não falei que não vou, só não tenho grana.

Luck: VOU CONSEGUIR PRA GENTE ENTRAR DE GRÁTIS MADUZINHA!

Eu: Então eu vou.

Dany: Da pra parar de gritar? Vai acordar a vizinhança inteira!

Luck: FODA-SE! NÃO VOU PARAR ATÉ TU CONCORDAR!

Dany: Ta, eu vou.

Luck: AE! VAMO EMBORA POVO!

Eu: Peraí, Dany tem algum casaco pra me emprestar?

Dany: Entra lá e escolhe. - ele me deu a chave, a casa do Dany era pequena e modesta, mas muito organizada e aconchegante.

A avó dele é muito organizada, até demais. Parecia que tudo era milimétricamente colocado em seu lugar. É, ele foi criado pela avó, nunca me explicou muito bem o porquê. Tem alguma coisa com “mãe que abandonou” e “pai marginal” não fiquei perguntando.

Escolhi um casaco xadrez que ele usou uma ou duas vezes. Ficava um pouco grande, mas era quente e pra mim já bastava.

Nós fomos caminhando, era perto. Uma boate bem conhecida aqui da cidade, abre de segunda a segunda. Pequeno e lotado, ficava todo mundo apertado. Não sei nem como conseguiam dançar, não gostava muito daquele lugar tinha ido poucas vezes, mas uma coisa é fato: eles têm um ótimo estoque de bebidas.

«Capítulo 18                                                                             Capítulo 20»

(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 18 - “…Já estou farta de tentar ser uma pessoa melhor…”

Sandy: EU SEI DO BEIJO NA FESTA! O QUE EU NÃO TENHO CERTEZA É SE FOI SÓ UM BEIJO, COM TEU HISTÓRICO VOCÊS DEVEM TER FEITO NO BANHEIRO MESMO…

Eu: Não Sandy, não é is…

Sandy: VOCÊ BEIJOU O GAROTO QUE EU GOSTO SÓ PRA ME IRRITAR E DEPOIS DE TUDO QUE EU TE FALEI! É UMA VACA FALSA MESMO.

Eu: NÃO ME CHAMA DE FALSA SANDY! TU ACHA MESMO QUE EU FIZ ISSO SÓ PRA TE IRRITAR? LÓGICO QUE NÃO! AS VEZES SÓ ACONTECE…

Sandy: MENTIRA! TU TA SEMPRE TENTANDO ESTRAGAR TUDO NA MINHA VIDA, TU TEM INVEJA DE MIM!

Eu: FALA SÉRIO SANDY! O MUNDO NÃO GIRA EM TORNO DE VOCÊ! - eu gritei isso e ela começou a chorar mais ainda.

Saiu correndo e derramou toda a cerveja no tapete.

Enquanto ela saía, eu já estava me senti culpada de novo.  Não devia ter falado aquilo. Beijei o Rafa, quem ta errada é eu. Mas ela me irrita com essa história de que eu faço tudo pra estragar a vida dela, to sempre ajudando e não estragando.

Fiquei brisando sobre a gritaria e lá fora estava todo mundo me olhando. Continuei caminhando até a porta e com a cabeça baixa, quando ninguém mais podia me ver, corri.

- ME ESPERA! - olhei pra trás e tava o Rafa correndo até mim.

Eu: Não precisava vir até aqui.

Rafa: A Lizy ia vir, mas… - ele ainda tava tentando recuperar o fôlego - tu corre rápido…

A gente continuou caminhando por um tempo até ele quebrar o silêncio:

Rafa: Tu não deve se sentir culpada, porque…

Eu: Tu percebeu que é exatamente a mesma situação que tu e o Dany estavam?

Rafa: É…

Eu: O que difere é que a Sandy não é nada parecida com o Dany, ela vai fazer da minha vida um inferno e talvez nunca me perdoe.

Rafa: Eu também pensei que o Dany não fosse me perdoar.

Eu: Tu ainda não percebeu o jeito dela? Ela acha que eu a traí, como se eu tivesse roubado o namorado dela.

Rafa: QUÊ? Eu não sou namorado dela, nem de ninguém… não ainda!

Eu: Mas…

Rafa: Madu! Eu não tenho compromisso com ninguém e nem tu. A Sandy foi quem enfiou na cabeça que eu pertencia a ela, mas não é assim que funciona.

Eu: Eu sei, mas nunca pensei que iria ser eu a guria que a faria abrir os olhos, não desse jeito… traição.

Eu sentei na calçada e fiquei olhando pros carros passando. Ele sentou do meu lado.

Eu: Já estou farta de tentar fazer as coisas melhorarem, achando finalmente que eu vou acertar e tudo vai se encaixar, mas não acontece. As coisas pioram e tudo parece ser minha culpa não aguento mais tentar ser uma pessoa melhor. Na real nunca vou conseguir.

Levantei e saí andando.

Não sei por que eu falei tudo aquilo pro Rafa, acho que já estava explodindo.

-

Mãe: Achei que ia dormir na casa da Sandy hoje, já é tarde.

Eles estavam sentados no sofá olhando TV.

Mãe: Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

Eu: Não… Tem espaço pra mim aí?

Eles se entreolharam surpresos. Eu nunca participava desses momentos “família feliz”.

Sentei do lado da minha mãe e ficamos rindo do filme trash que passava na TV. Era o que eu precisava: rir e passar tempo com minha mãe.

Mais nada.

-

Quando acordei já estava atrasada pra escola de novo, mas dessa vez nem fiz questão de sair correndo.

Mãe: Não vai pra aula hoje? - ela falou enquanto eu entrava na cozinha de pijama.

Eu: Não to no clima de aula hoje não.

Mãe: O que tu achas de passarmos o dia juntas?

Eu: Ham…

Mãe: Se tu não quiser tudo bem… - ela voltou a mexer a panela.

Eu: OK. O que tu pretende pra hoje?

Ela sentou do meu lado animada falando sobre nós passarmos à tarde no shopping comprando roupas.

Odeio fazer compras com minha mãe. Ela me faz vestir roupas horríveis, que em geral agradaria outras meninas, mas não me sinto muito bem com vestidos e afins.

Ela é vencida pelas minhas caretas e acabo sempre comprando o que eu quero: camisetas de bandas, geralmente.

Eu: Tem certeza que tu quer comprar roupa comigo?

Mãe: Dessa vez vou te deixar escolher tudo, sem me intrometer. Juro. Até gosto desse teu estilo.

Eu: Essa foi a coisa mais estranha que tu já me falou na vida, mãe. - ela riu, dei um beijo nela e fui me arrumar.

-

Ela conseguiu manter a palavra, ajudou em algumas coisas, mas me deixou comprar o que eu queria. Foi uma tarde muito agradável, só nós duas o que é bem raro.

Nós paramos pra comer alguma coisa em uma lanchonete qualquer e eu aproveitei pra me desculpar:

Eu: Mãe… queria pedir desculpas por não passar muito tempo contigo, sei que está passando por um momento…

Mãe: Já deu Madu. Nossa vida foi sempre assim. E eu não quero que mude por nada. Sei que tu tens teus amigos e que prefere ficar com eles. Isso é óbvio. Estou fazendo o tratamento pra ficar o máximo de tempo com vocês. Mas não sei quanto isso vai dar…

Eu: Não fala isso…

Mãe: Não, Maria Eduarda! Tu tens que saber da verdade. Qualquer hora dessas vocês vão ter que se virar sem mim. E eu queria que vocês parassem de brigar um com o outro. Só isso que eu peço. Podes tentar ser mais flexível?

Eu: Eu vou tentar…

Ela sorriu. Como consegue? Saber que não tem muito tempo de vida e ainda sorrir.

Mãe: Estas me ouvindo Madu?

Eu: To sim! Pode continuar…

Mãe: A dona Maria da padaria, aquela senhora me irrita…

Cidade pequena é foda, quando eu olhei pro lado dei de cara com o Fabrizio se pegando com uma guria qualquer.

«Capítulo 17                                                                             Capítulo 19»

(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 17 - “E como vai ser quando eu não estiver mais aqui pra cuidar de vocês?”

Nós ficamos lá por horas. Pode parecer estranho pra muita gente, mas minha mãe é realmente gente boa. Daquelas coroas que não ficam te dando lição de moral, ela sempre diz que foi errando que ela aprendeu o que é certo ou não e é assim que eu devia aprender.

É claro que ela tem uns ataques quando a gente abusa da bondade dela.

Mãe: ONDE É QUE TU ESTAVAS EDUARDO? E O QUE ACONTECEU?

O Dudu chegou todo sujo e com a cara roxa.

Dudu: Achei que já tinham ido dormir. Vou tomar meu banho.

Mãe: VOU TOMAR BANHO? SÓ ISSO? TU TENS 14 ANOS E CHEGA EM CASA À 1 DA MANHÃ! COMO VAI SER QUANDO EU NÃO ESTIVER AQUI PRA CUIDAR DE VOCÊS?

Ela percebeu o que falou e me olhou. Um pouco tarde mãe, é.

O Dudu baixou a cabeça e foi pro quarto e minha mãe saiu logo depois.

Dany: Ham… Ta tudo bem por aqui?

Eu: Sim, claro. Tu conhece minha mãe, ela exagera às vezes…

Dany: OK, ta a fim de jogar um pouco?

Eu: Tu fez a pergunta perfeita! - com certeza foi, eu que não queria pensar no que minha mãe acabou de falar. Ia ser muito difícil segurar o choro na frente do Dany, mas Video Game é PERFEITO pra tirar qualquer coisa da cabeça.

Depois que ele ganhou de mim umas 100 vezes, perguntei:

Eu: Ham… Dany? - ele fez sinal com a cabeça ainda concentrado no jogo - tu chegou a falar com o Rafa?

Dany: Não - ele fechou a cara, mas continuou jogando.

Eu: Mas… - largou o controle e olhou pra mim.

Dany: A única coisa que eu ouvi na casa do Luck foi o que ele fez e falou pra ti. O resto eu não faço questão de saber.

Eu: Não sei tu ta bravo com ele, sinceramente Dany. Tu conhece a Sandy, ela…

Dany: Tu não tem obrigação de defender ele só porque vocês ficaram.

Eu: Eu não to defendendo ninguém, eu só acho que…

Dany: Não quero brigar contigo Madu. Muito menos por causa dele.

Eu: OK.

A gente foi dormir logo depois, sem muitas palavras. Eu sabia que tava tudo bem entre a gente eu só fiquei surpresa que o Dany pense assim.

-

Luck: Ta todo mundo aqui no maior tédio como sempre, maaaaaaas hoje tem reunião lá em casa depois da aula e ta todo mundo convidado.

Rafa: Por mim já to lá. Se pudesse não voltaria pra casa nunca mais.

Sandy: O que aconteceu Rafa?

Rafa: Longa história. Vocês topam também?

Sandy: EU vou!

Será que eu devia ir? Minha mãe tava meio sozinha ontem, talvez eu devesse ficar em casa com ela…

Dany: Ta a fim Madu?

Eu: Haam… ta.

Dany: OK.

Luck: Vocês podem chamar aquela menina que fez café na minha casa.

Sandy: Fizeram café na tua casa?

Rafa: Que menina?

Luck: Não lembro o nome dela.

Eu: É a Lizy.

Sandy: Ela se atreveu a fazer café na casa do Luck?

Eu: Qual o problema?

Luck: Não tem problema nenhum, na real todo mundo ficou contente de não precisar sair e tal… Vai chamar ela?

Rafa: Posso chamar se quiser, mas se tu tiver a fim dela Luck, acho melhor desistir.

Luck: Por quê?

Rafa: Vou ali ligar pra ela, peraí.

A Sandy fez uma cara de quem tinha alguma coisa pra reclamar, mas não falou nada.

Rafa: Ela disse que só pode ir se o irmão dela for junto.

Luck: Mais uma que tem irmão caçula peste? Já não basta a Maduzinha?

Rafa: O irmão dela é o doido sem camisa que vocês conheceram na minha casa lembra? O Tadeu!

Sandy: Aaah, dele eu gostei.

Luck: Quantos anos ele tem?

Rafa: 16, a mesma idade que a Lizy, eles são irmãos gêmeos.

Luck: HAHAHAHAHA! QUE FODA! CHAMA OS DOIS! QUERO VER ELES JUNTOS!

-

Quando nós saímos da escola eles já estavam lá, sentados na calçada e fumando.

Luck: Vocês são realmente gêmeos?

Tadeu: Sim, por quê?

Luck: Por nada… - ele ficou olhando pros dois por um tempo e depois voltou ao normal, colocando um cigarro na boca - tem fogo?

Lizy: Aqui.

Rafa: Tu não tinha parado de fumar Lizy?

Lizy: Eu não consegui totalmente com o Tadeu fumando o tempo todo do meu lado, é meio impossível.

Tadeu: Nem vem falar que é minha culpa, tu não parou porque não quer.

Luck: Gostei do teu nome Tadeu, Tadeu…

Tadeu: HAHAHAHAHA! Meus amigos me chamam de Tad.

Rafa: Ninguém te chama de Tad.

Tadeu: Pois deviam.

Luck: Hahahaha, eu te chamo de Tad. - eles fizeram um cumprimento estranho, tava com preguiça de perguntar qualquer explicação sobre o significado.

Nós decidimos ir pra casa do Luck logo porque a “reunião” já tinha começado.

No meio do caminho quando olhei pro lado, vi a Sandy tentar pegar a mãe do Rafa, ele se assustou e a guardou no bolso.

Olhei pro Dany e ele ainda tava vidrado na mão da Sandy.

Comecei a caminhar mais devagar pra ficar atrás com o ele.

Eu: Já falou com o Rafa?

Dany: Não e nem quero.

Eu: Daniel, deixa de ser cabeça dura caralho. - ele parou e se virou pra mim.

Dany: Por que tu defende tanto ele? Ta apaixonada também? Já não basta a Sandy? Ele pegou vocês duas no mesmo dia, ele é um idiota e como tu não consegue ver isso Madu?

Ele voltou a caminhar rápido e eu o acompanhei:

Eu: Estranho tu chamar alguém de idiota, porque quem ta agindo como um é tu!

Caminhei mais rápido pra alcançar a Lizy.

Lizy: Que cara é essa? Aconteceu alguma coisa?

Eu: Deixa pra lá.

Quando nós chegamos à casa, já haviam umas dez pessoas e a música já tava tocando.

Léo: Eaí Luck? Voltando da escolinha com os amiguinhos, é?

Luck: Vai te foder Léo. AE GALERA! ESSES AQUI SÃO MEUS CONVIDADOS, ENTÃO NADA DE ZUAR COM ELES, FALOU?

Dany: Até parece que a gente nunca veio numa reunião.

Luck: É mais pro Rafa, Lizy e Tad. APROVEITEM MEUS AMIGOS! - e saiu dançando

Tadeu: Por que “reunião”?

Eu: É quando eles tão a fim de beber e fumar, mas não tem dinheiro pra fazer uma festa, aí acabou se tornando uma “reunião”.

Dany: Tem toda semana.

Sandy: Eles fazem uma vaquinha pra conseguir comprar as cervejas e a - ela deu um trago em um beck invisível e todo mundo riu.

Dany: Eu achei que o Léo não estaria aqui hoje. - ele falou baixo pra que ninguém mais ouvisse.

Eu:

Dany: Ah Madu, foi mal! Eu fui um idiota mesmo. É que eu já tava com raiva por tudo que aconteceu e tu ainda defendia ele, fiquei puto… Desculpa?

Eu: Claro, agora vai lá falar com ele - e o empurrei na direção do Rafa que estava abrindo a geladeira pra pegar cerveja.

Dany: Me passa uma aí.

Rafa: Deixa que eu abro pra ti.

Pronto, eles estavam de boa de novo. Impressionante a forma que eles dizem “foi mal” um pro outro. Queria ser assim…

Sandy: Eu to louca ou eles não estavam se falando?

Como é possível? Eles quase brigam de vez por causa dela e ela nem sabe o que aconteceu.

Eu: Ah, tu percebeu alguma coisa. Finalmente.

Sandy: Quê? Mau humor de novo? Ta ficando mais frequente Madu.

Eu: Como tu consegue machucar alguém e nem perceber? Tu sempre fode com as pessoas e nem liga, neh? - ela fez cara de quem não tava entendendo nada e eu saí pra não falar mais merda.

Lizy: Quer uma cerveja Madu?

Eu nem respondi, peguei a segunda garrafa na mão dela e virei.

Lizy: Tu pode me dizer por que ta assim ou é segredo?

Eu: Acabei de falar algumas coisas que não devia pra Sandy.

Lizy: Tipo o que?

Eu: Tipo… não sei. Algumas coisas que eu penso já faz um tempo, só não sabia como dizer e com certeza despejar em cima dela do nada como fiz agora não foi uma boa forma.

Lizy: Não entendi, mas o que posso dizer é pra ti não ficar guardando nada aí dentro. Se tu precisa dizer alguma coisa fala logo.

Eu: Valeu Lizy.

Lizy: Sempre que precisar - nos abraçamos e eu senti um empurrão no ombro.

Lizy: Vai atrás dela.

Foi a Sandy, ela saiu correndo e chorando pra um dos quartos.

Eu: Sandy…

Sandy: Sai daqui, Madu!

Eu: Eu falei aquelas coisas sem explicar o porquê…

Sandy: Quê? Que coisa? Que eu faço tudo sem pensar em ninguém? Tu acha que é por isso que eu to chorando?

Eu: Por que então?

Sandy: Tu sabe.

Eu: Não sou adivinha Sandy, fala logo.

Ela se levantou com as lágrimas caindo pelo rosto e gritou:

Sandy: EU SEI DO BEIJO NA FESTA!

«Capítulo 16                                                                             Capítulo 18»

(Source: DAYBYDAYWEB)


Capítulo 16 - “Tu é doido por ela, Daniel!”

- MADU! MADU! CORRE AQUI! AGORA!

Acordei num pulo, não sabia se tinha ouvido isso em um sonho ou…

- MADU! VEM LOGO!

Eu saí correndo, os gritos vinham do quarto da minha mãe, cheguei lá tava o Dudu olhando pra cama vazia.

Eu: Que foi? O que aconteceu?

Dudu: Onde eles estão?

Eu: Te acalma guri, eles foram jantar.

Dudu: JANTAR? AO MEIO-DIA?

Eu: Meio-dia? Noooooossa, vou perder a aula. E fica calmo Eduardo, vou ligar pra eles.

Liguei e meu pai atendeu depois de 2 segundos.

Eu: Ta tudo bem com eles Dudu, o pai disse que a mãe volta antes de anoitecer.

Dudu: Ta, valeu. - ele se sentou na cama deles e ficou olhando pro chão.

Eu: Vai tudo se resolver, escuta o que eu to falando. Não vai acontecer nada demais, com nenhum deles.

Dudu: Tem certeza? - ele me olhou quase chorando.

Lógico que eu não tinha certeza, ninguém sabe. Eu estava com tanto medo quanto ele, mas…

Eu: Tenho. O pai não vai deixar nada acontecer com ela.

Dudu: Ta, acho que é verdade… Ah, aqui ta teu pôster - ele saiu correndo e voltou com o pôster e os óculos na mão.

Eu: Valeu. E nem te perguntei, como foi a festa?

Ele ainda tava meio choroso, mas rindo. O Dudu é só uma criança, tenho que me lembrar disso mais vezes.

Dudu: Foi incrível, eu ainda to de ressaca.

Eu: Hahahahaha, sei como é. Vou me arrumar pra ir pra aula, tu deve fazer o mesmo.

Dudu: Ah, não to a fim de ir hoje. Vou ficar em casa.

Eu: Não começa a me irritar Eduardo, tu precisa ficar lá quatro horinhas nem é muito.

Dudu: São quatro horas de pura tortura e…

Eu o deixei falando sozinho e saí. Tinha prova hoje no primeiro período ainda e já estava atrasada.

Fiz tudo rápido e quando cheguei os portões ainda estavam abertos, mas já havia tocado o sinal pro segundo período.

Eu: Beleza, perdi a primeira prova do ano, maravilha.

-

Sandy: Perdeu a prova.

Eu: Não diga. E como foi?

Sandy: Fácil pra quem estudou. Devo ter tirado zero.

Eu: Onde ta o Rafa?

Sandy: Não veio, mais um motivo pra eu não ter vindo hoje.

O recreio foi um dos mais silenciosos, só não ganhou do dia em que eu e a Sandy estávamos brigadas aí ninguém ousava falar alguma coisa.

Esse porém a Sandy falava, até demais. O Luck também não tinha ido pra aula, tava só nós três e ela não parecia perceber nenhum clima.

Ta aí, alguém mais tapada que eu.

Dany: Madu posso ir pra tua casa hoje?

Eu: Ham… Pode claro.

Dany: Ta, vou passar na minha antes pra avisar e tal.

Eu: OK.

-

Duas horas depois deu chegar em casa o Dany aparece na porta do meu quarto.

Dany: Posso entrar?

Eu: Sentaí.

Dany: Eu queria falar sobre a festa. Fiquei sabendo que tu falou com a Nessa e o Rafa, nem sei por onde eu começo a me explicar.

Eu: Tu não precisa me explicar nada Daniel. Todo mundo tem seus segredos. Mas eu confesso que to me achando meio idiota de não ter percebido nada antes, da pra ver na tua cara! Tu é doido por ela!

Dany: Sou mesmo, mas não que isso seja alguma coisa boa. Tu conhece a Sandy, ela nunca vai olhar pra mim - ele sentou na minha cama com cara de cachorro abandonado.

Eu: Não sei Dany, pode ser que não aconteça, mas não é impossível. A vida sempre nos surpreende com coisas novas.

Dany: Tu acredita mesmo que é possível? Lógico que não. Quando eu começo a achar que ela vai conseguir me olhar de outro jeito, ela apronta uma e volta a ser a velha Sandy, e eu me lembro de que sou só um nerd idiota que nunca vou ter chance com uma garota tipo a Sandy.

Ele falou isso com tanta raiva, ironia e tristeza que mal o reconheci. O Dany geralmente é o mais calmo do grupo.

Tava começando a ficar com raiva da Sandy por fazê-lo sofrer, ele não merece isso.

Eu: Olha Dany, não posso prometer que vou conseguir, mas como amiga da Sandy, vou tentar fazer ela te ver com outros olhos. Vou falar com ela… - ele abriu a boca com cara de descrente - NEM VEM COM ESSA HISTÓRIA DE QUE EU SOU UM NERD IDIOTA, QUE TU NÃO É! VAI TE FODER SE TU PENSAR ISSO DE NOVO DANIEL!

Ele riu e me abraçou forte. Depois de 1 minuto ele já era o Dany que eu conhecia até mais animado.

Dany: To morrendo de fome Madu, tem rango pra nós?

Eu: Não sei, vamos lá ver.

Na cozinha eu achei minha mãe comendo bolo sozinha e com uma cara horrível, ela nos viu e abriu um sorrisão.

Não to acreditando, minha mãe solitária mesmo depois de tudo que está passando. Que merda de família nós somos pra ela.

Antes de sentar em seu lado, dei um abraço demorado nela, lógico que isso não compensa droga nenhuma, mas…

Mãe: Vocês estão com fome? Acabei de tirar o bolo do forno.

Dany: Perfeito Dona Lúcia. To faminto.

Eu: Valeu mesmo mãe.

Clica e leia o capítulo 17

(Source: DAYBYDAYWEB)